Borboletário da Luciana

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sexta-feira, 30 de abril de 2021

#LUCIANAESCREVE 01: Conte o que você quer ver - Parte I

 

Imagem de Olya Adamovich por Pixabay

NOTA DA AUTORA: Olá! Esta pequena história fala de duas adolescentes de 14 anos, uma tendo sentimentos românticos pela outra e a outra sendo uma cabeça de vento quanto a isso haha. São personagens de ideias de histórias minhas que eu tinha faz tempo. Mas a pequena história se desenvolveu graças a canção "Bad Liar" de Imagine Dragons. Torço para que gostem, mas, se não gostarem, podem comentar 👀

RESUMO DA HISTÓRIA TODA: Margarida Prestes se desestabilizou quando não encontrou mais Lílian Lobato, sua primeira amiga fora da família, em Atibaia (SP). Entretanto, conseguiu a achar em uma escola de São José dos Campos (SP) após investigar com a ajuda de seu pai. O que será que acontecerá nesse encontro?

CONTE O QUE VOCÊ QUER VER I

Eu me achava devastada naquele momento, embora eu houvesse aprendido a deixar nenhuma lágrima rolar em meu rosto. A casa dos Lobato, família de uma conhecida minha na infância, estava vazia. Não tinha Lílian, nem seu pai professor ou sua mãe nervosa. 

- Senhorita Prestes! - Giovani, meu motorista particular, correu do carro ao meu encontro - Vamos voltar ao carro, está chovendo e a senhorita pode pegar uma pneumonia!

Eu olhei Giovani. Na ausência do meu pai biológico, quem vive super ocupado, Giovani era como um pai para mim. Ele nem precisava agir como um pai. Bastava ele fazer seu trabalho, termos respeito que não atravessaríamos muito o caminho um do outro. Mas não. Ele cuidou de mim junto de minha mãe, desde que eu era um bebê. E uma das coisas que Giovani me ensinou foi que eu tinha que ser forte em um mundo duro.

Porém, ali, pra mim, ser forte não era o bastante. Eu queria ver Lílian aparecer no meio daquela casa de telha branca, paredes verdes, quintal pequeno e anúncio de venda. Eu precisava de Lílian perto de mim e continuando a ser a alegre boba que era. Por isso, eu, no meio da chuva e correndo de Giovani, rodei a casa. Não prestei muita atenção no dia, mas existiam pessoas me observando na vizinhança daquele bairro. Elas pareciam ter pena de mim. Eu não gostava que as pessoas tivessem pena de mim. De verdade, nunca gostei.

Lílian não estava em nenhum ponto fora da casa. E não havia sinal de habitantes algum.

Meu coração pareceu doer muito naquele dia. "Ela me disse que seríamos amigas para sempre!", pensei. Eu vi que Giovani, com menos energia que eu, estava próximo e eu me aproximei dele. Achei que as lágrimas se confundiriam com os pingos de chuva. Mas, pela minha cara, Giovani pareceu saber o que estava no interior do meu coração.

~x~x~x~

Naquele dia, eu não quis jantar. Mamãe estava na mesa de almoço. A nossa empregada doméstica, que ajudava na casa, tinha tirado suas férias. Mamãe, Girassol, tinha aproveitado as férias da empregada para poder tentar assumir as atividades domésticas de casa. Nisso, ela preparou bifes, fritas, salada, feijão e batata doce cozida para substituir o arroz. Mamãe Girassol preparou o almoço com quase perfeição, no entanto, ela quase quebrou as louças com seu costumeiro desleixo.

- Mãe - eu falei triste aos 11 anos - estou sem fome.

Eu não tinha preparo para aquela situação, tanto que nem me lembrei das questões de etiqueta que eu sabia desde os 6 anos. Segundo as lições de etiqueta que eu tinha recebido de uma professora particular - eu recebia aulas em casa dos 4 anos aos 10 anos de idade -, eu deveria chamar mamãe sempre de "senhora". Mas quando eu me descuidava, chamava ela carinhosamente por mamãe ou mãe.

Eu olhei para o prato. O prato parecia gostoso, apetitoso, delicioso. Mas minha barriga, mesmo quase vazia, não pedia a comida. Eu sabia que era alguma reação química que fazia eu ter falta de apetite. O meu prato nem estava cheio. Eu me satisfazia com pouca comida. Mas mesmo assim...

- Oh, meu amor - mamãe Girassol falou com afeto - Pode contar para mamãe o que está acontecendo?

- Lílian não aparece na escola desde o mês passado. Professora me disse que a mãe dela disse que ela estava doente demais e que não poderia ir às aulas por um mês - eu contei, não querendo a preocupar demais e por saber que mamãe podia saber de qualquer uma de suas amigas que adoravam fofocas - E hoje eu fui na casa dela com cópias das explicações e atividades. Ela não estava lá. Ninguém estava lá!

- Achei que Lílian ainda estivesse na escola - mamãe Girassol me relatou depois de um tempo silenciosa - Você parecia ainda radiante nesse dias...

- Radiante? - eu a olhei.

- É, Margarida - concordou mamãe, seus olhos azuis nos meus - Pensa que mamãe não sabe que você tem os olhos brilhando quando falou ultimamente nela?

- Não, não pensei nem nisso, senhora - eu desabafei, pensativa - Mas eu achei que Lílian ia voltar! O pessoal da escola continuavam dizendo que eu era estranha, mas fiz tudo direitinho, senhora! Estudei na biblioteca para a semana de provas, fui a primeira em tudinho nas matérias, eu estudei até o comportamento e as roupas das outras meninas...!

- Por que você estudou as outras meninas? - mamãe me perguntou, comendo um pedaço de carne.

- Lílian disse que queria fazer uma festa de pijama comigo e suas outras amiguinhas - falei com um pingo de ciúme e também de aversão: eu não me dava bem com as outras amigas de Lílian daquela época, já que elas chegaram a insultar a minha família nas costas de Lílian - Eu queria entrar nas conversas delas e não ficar no meio de uma tensão gigante...

- Humm... - mamãe Girassol olhou por um canto dos olhos para outro lado - Isso é coisa da Petúnia, certeza.

Na época, eu não sabia que Petúnia era a mãe de Lílian. Petúnia, eu sabia, era a querida antiga amiga que mamãe tinha. Papai uma vez me disse que Petúnia era ressentida com mamãe. Mas achei que Petúnia tivesse esquecido mamãe e que estaria vivendo sua vida no exterior. Afinal, Petúnia, disse mamãe, tinha grandes pretensões com uma família.

Naquele momento em casa, alguém destrancou a porta da frente do casarão com a chave. 

Era o meu pai, que eu não via desde os meus 10 anos. Ele, um homem lindo de cabelos loiros, estava olhando sério para um relógio antigo quando ele se aproximou da cozinha da casa. Mamãe, apaixonada, voou para perto dele e distribuiu um beijo para cada bochecha dele e deu um abraço. Ela não fez um escândalo como outras mães fariam quando o marido chega atrasado. Era até como mamãe soubesse onde papai estava, só não pudesse externar para mim que sabia. Mas eu não ia passar pano para o meu pai. Meu coração também era machucado por causa dele.

- Oi, Álvaro - eu sorri amarga para a minha versão adulta masculina, tirando os olhos - O que faz em casa depois de tão longo tempo?

Eu tinha minhas teorias sobre o que ele fazia fora de casa.

CONTINUA...



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